quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A Missão Profética como Agente de Transformação Social

Depois de compreendermos o sentido real e original da Missão, podemos entender que o fator que irá legitimar o verdadeiro Evangelho e por conseguinte sua verdadeira forma de proclamação, são os frutos produzidos por estes em cada povo, raça ou etnia da face da terra. Devemos entender que não fomos chamados para a alienação social; pelo contrário, fomos vocacionados para proferir todas as mudanças e transformações produzidas pelo evangelho no seio da terra. O cristão precisa estar presente no contexto da vida social, para ser o elemento influenciador, saneador e referencial. A Bíblia fala de homens santos que exerceram grande influência na história porque se envolveram nos assuntos seculares, como José do Egito, Daniel, Neemias e tantos outros. A igreja é a luz do mundo e não a sombra da história. A igreja deve ser a consciência do mundo e não uma inocente útil nas mãos dos poderosos deste século. Jesus é para nós o grande modelo. Ele veio do céu. Era do céu. Voltou para o céu. Vivia Segunda as leis do céu. Mas, jamais foi desinteressado pelo problemas da terra. Ele viveu intensamente o seu tempo, envolvido nos grandes dramas que afetavam as pessoas. Ele viveu no meio do povo. Ele tinha cheiro de gente. Ele percorria as cidades, cruzava as aldeias, entrava nas casas e tomava refeição com os pecadores escorraçados pelo legalismo fariseu. Ele conversava com prostitutas, abraçava as crianças, tocava os leprosos, curava os enfermos e libertava os oprimidos e pocessos de espíritos malignos. Seu ministério se deu na rua, na praia, no campo, nos lares. Ele não se fechou num religiosismo estreito nem abraçou uma espiritualidade alienadora. Pelo contrário, onde Jesus estava, o ambiente era impactado pela sua santa presença. As pessoas eram tocadas pelas suas santas palavras e abençoadas pela sua ação poderosa. É assim que também viveram os profetas de Deus. É assim que viveram os apóstolos de Cristo. É assim que a igreja deve viver.
Não podemos cair no erro dos pietistas do século XVII, que supervalorizavam as coisas espirituais em detrimento das coisas terrenas. Tão pouco podemos cair numa praxes puramente proselitista, como o modelo da Missão Catequética. Que consistia tão somente na suposta evangelização das terras pagãs colonizadas pelo poderio das grandes nações católicas da idade medieval (como: Portugal e Espanha), que visava a conversão compulsiva dos nativos à "santa fé católica".
Introduzindo pelo exercício da força e da escravidão a que eram submetidos, todos os preceitos e valores da nova religião, fruto da tirania e da ganância que marcaram época.
Como profetas do Reino, precisamos ter um coração sensível e compassivo, capaz de converter piedade religiosa em ação concreta e factível de ajuda ao necessitado. Precisamos ultrapassar a fronteira do sentimentalismo piegas que é capaz de chorar diante da dor alheia, mas é incapaz de mover uma palha para aliviar essa dor e ajudar a pessoa aflita. Essa é nossa missão : "sermos influenciadores sociais". Dentro desse contexto, a igreja se destaca como a grande portadora das virtudes celestiais. Herdeira da vida, da justiça, da paz,do real prazer e da alegria, enfim, de tudo aquilo que provém única e exclusivamente de Deus.
Não basta à igreja fazer belos discursos sobre o amor de Deus, se ela não representa o braço da misericórdia divina na vida dos aflitos e necessitados. Precisamos entender que nós somos corpo de Cristo na terra. Jesus fala a um pecador moribundo através de nossa boca. Ele visita o enfermo quando vamos ao seu encontro no leito de dor. Ele alimenta o faminto quando abrimos a mão e a despensa da nossa casa par socorrê-lo.
Sendo assim, entendemos que o objetivo maior da missão é a transformação: espiritual e social. É a proclamação do evangelho que transforma o interior do homem, levando-o a exteriorizar os frutos de uma vida em Cristo. A transformação social incitada pela prática do evangelho integral, ocorre a partir do momento em que não desassociamos a prática do evangelho, isto é, a proclamação (evangelização), da responsabilidade social.
É honroso para o servo de Deus, e constitui um dever imposto a cada um de nós, tentar a infiltração dos nossos padrões evangélicos na consciência do povo e até nos sistemas econômicos, políticos e sociais. Isto se faz através do nosso testemunho falado ou escrito e até por meio de entidades ou grupos tecnicamente organizados, os quais poderão exercer grande influência entre as diversas classes profissionais.
Não faz mal repisar que jamais a Igreja pensou tanto na sua responsabilidade social. Estudos aprofundados na Palavra de Deus têm levado muitos cristãos a compreender melhor a sua responsabilidade perante as necessidades do mundo em que vivemos. Como resultado desses estudos, muitos são levados para mais perto do Senhor Jesus e têm sentido que, quanto mais se aproximam do seu Senhor, maior compreensão têm do mundo e das suas realidades.
Ao proclamar-mos o evangelho a um povo, damos início a um processo de revolução social. Isto é, transmitimos aquela sociedade todos os valores absolutos do reino: sua justiça, sua ética, sua moral, etc. " Em seu sentido mais amplo, a missão é o que a igreja faz a serviço do reino de Deus". Desta feita compreendemos que a missão (como ordenança divina) é a aplicação do evangelho integral ao homem integral.

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