quarta-feira, 11 de agosto de 2010

A Missão Profética e Social da Igreja

Muito se tem falado em nossos dias sobre o verdadeiro sentido da missão da Igreja. Especulações de diversos ramos evangelicais têm ao longo do tempo, forjado diversas teorias sobre esse tão importante assunto. Deste modo, não é pretensão de nossa parte a criação de mais um novo conceito de missão; mas, sobre tudo, o de encontrarmos na Teologia Bíblica toda a sua legítima e real significância.
O termo missão deriva da palavra latina missio (enviar), referindo-se à proclamação do evangelho a todos os homens em todas as partes do mundo. Uma vez que ela objetiva a conversão das nações em todos os tempos (Mateus 28. 19.20; Atos 1.8), o envio de missionários é de máxima importância. A interpretação atual da missão vê esta atividade da igreja como parte da missio Dei, o Deus triúno propondo-se a reconciliar o mundo consigo por meio de Cristo. Assim como o Pai envia seu Filho, assim Eles enviam a igreja sob a direção e a inspiração do Espírito Santo. A missão é um instrumento da ação divina na história para a consumação de seus propósitos para s criaturas humanas. Bosh afirma: "A missão tem sua origem no coração de Deus. Ele é uma fonte da qual mana amor. Esta é a mais profunda origem da missão. É impossível penetrar ainda mais fundo; há missão porque Deus ama as pessoas."
Nosso ponto de partida é o fato de que missão está intrinsecamente subordinada ao Reino de Deus; sendo o seu objetivo único, a proclamação deste. Devemos entender que Missão não é a simples "proclamação" do plano redentor salvífico; mas também, a proclamação de todos os atributos que constituem este Reino. Desta feita, é totalmente inconseqüente e infundada a simples pregação do Evangelho tal como é feita em nossos dias: o Evangelho que salva a alma, mas que não salva o corpo (aspecto social), e tão pouco a mente (aspecto emocional). Isto seria ao nosso ver, reduzir o amplo conceito de missão à evangelização (em sua forma catequética ou puramente proselitista). Segundo Costas: "evangelizar é participar de uma ação transformadora, isto é, a boa-nova de salvação. Neste sentido, a evangelização não é um conceito, mas sim uma tarefa dinâmica, encarnada primeiro na vida e ação salvífica de Jesus Cristo. Portanto, ela não pode ser reduzida a uma fórmula verbal. Evangelizar é reproduzir pelo poder do Espírito Santo a salvação que foi revelada em Jesus Cristo."
O conceito de Missão como puramente o envio de missionários a terras distantes (ainda não cristianizadas), perde seu sentido obsoleto; pois baseia-se tão somente em uma hermenêutica sensacionalista do 'além mar', que nada mais é que uma continuação da teologia de missões (catequética) da Igreja Romana desde seu período medieval. Tal conceito, difunde-se principalmente através das "agências" missionárias que têm seu nascimento na omissão da Igreja, a quem Cristo realmente comissionou para tal missão. Desta feita, os movimentos paraeclesiásticos (que crescem dia a dia assustadoramente), cumprem de fato, distorcida e imperfeitamente, aquilo que de direito pertence exclusivamente a Igreja de Cristo na terra.
Não obstante a isso, a Igreja que ora vive ainda intensamente este conceito errôneo das Missões, tem se despertado enfim para o cumprimento da Grande "Missão"; missão esta, integral e legitimamente Escriturística. Um conceito defendido e explorado a partir do glorioso Congresso Internacional de Evangelização Mundial em Lausanne, Suiça, de 16 a 25 de julho de 1974. Onde a Missão tomou o seu sentido mais amplo, como aquela que exerce atividade profética sobre a sociedade; pregando o evangelho de Cristo aplicando seu conteúdo em todos os seguimentos da sociedade, como na luta contra as misérias sociais, corrupção política, econômica, etc. Segundo Stephen Neill: "a era das missões chegou ao fim, começou a era da Missão". Sendo assim, a Missão tem sua essência voltada para o alcance não apenas do homem pecador (indivíduo), mas, também, para o alcance da sociedade pecadora; onde estão "todos os eleitos" de Deus. Diante disso, entendemos e optamos por este conceito, defendido a partir de Lausanne, crendo ser este fruto de uma verdadeira e reformada teologia bíblica; com frutos que evidenciem o Reino de Deus, tal como acontecera na Genebra dos dias de Calvino; influenciada em todos os âmbitos sociais pelo ministério profético social da reforma, liderada por ele.

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